Bolo-Rei é, provavelmente, das iguarias natalícias que as Famílias Portuguesas mais consomem durante estes dias.
E eu gosto tanto dele!
E eu faço parte dessa parte do Mundo: das Pessoas Fãs de Bolo-Rei!
Fresco, fofo, preferencialmente mal cozido, repleto de frutos secos... e quando tenho o privilégio de o trincar quentinho... sabe-me ainda melhor.
Sabe-me melhor a mim e, certamente, a todos quanto o apreciam.
Ontem, durante a Volta... Volta que me custa sempre mais fazer nesta altura do Ano...
Não que a tristeza, nesta altura do Ano, seja mais triste...
Não que a fome de tudo, nesta altura do Ano, esteja mais faminta...
Não que o frio, nesta altura do Ano, seja mais frio...
Não que a solidão, nesta altura do Ano, esteja mais sozinha...
Não.
Custa-me sempre mais, nesta altura do Ano, que o Mundo repare no que todos os dias faz parte dele.
Custa-me sempre mais, nesta altura do Ano, que o Mundo se esmere em tornar 2 dias melhores... e que descuide de todos os outros 363.
Custa-me sempre mais, nesta altura do Ano, que o Mundo compre tantos... tantos... tantos... Bolos-Rei e que coloque as suas sobras de Bolo-Rei, filhóses e sonhos enconstadas às Casas de Papelão.
Fatias de Bolo-Pedra que lhes endurecem o sorriso, que lhes arrefecem o coração, que lhes magoam as saudades, que os torna, ainda mais, famintos de tudo. Sonhos Duros de realidades amargas... polvilhádos de um açúcar que não adoça.
Que amarga. Sonhos que não fazem sonhar.
Nota Mental: Se todos os Bolos-Rei, se todos os Sonhos, se todas as Filhóses que se depositaram junto às Casas de Papelão ao longo da última semana... fossem lá colocados, doseadamente, ao longo dos outros 363 dias... seria, verdadeiramente, Natal nas Casas de Papelão.



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